Jovem da periferia de São Paulo é finalista por vaga na WorldSkills 2019 na Rússia

Não foi fácil, mas Vitor Galdino, 19 anos, morador do bairro Perus, Zona Norte de São Paulo, está hoje entre os selecionados para disputar uma vaga na equipe brasileira da WorldSkills, a maior competição de educação profissional do mundo. Técnico em mecânica formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de São Paulo, Vitor se prepara para competir na modalidade técnica engenharia de moldes para polímeros, em Kazan, na Rússia.


Para conseguir chegar até aqui, Vitor contou com o apoio dos irmãos, da mãe, que é dona de casa, e do pai, ferramenteiro. Foi daí que surgiu o interesse, já que sempre teve afinidade com a área. Além da formação técnica, Vitor tem no currículo um curso de aprendizagem industrial em mecânica de usinagem e outro de ferramentaria. O segundo curso foi o que o colocou no mundo das Olímpiadas do Conhecimento, em 2016, quando a preparação começou.
O jovem se dividia entre os treinos, durante o dia e as aulas do curso técnico, de noite. A dedicação trouxe resultados. Ele se classificou em 2017, na etapa regional e em 2018, na nacional. “Chegar aonde eu cheguei é bem gratificante. Alguém da periferia conseguir viajar o mundo mostrando o conhecimento que aprendeu aqui no Brasil é sensacional”, avalia.
A 45ª edição da WorldSkills ocorrerá de 22 a 27 de agosto, no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO, em Kazan, na Rússia. A competição é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviço.
Eles precisam demonstrar habilidades individuais e coletivas para responder aos desafios de suas ocupações dentro de padrões internacionais de qualidade. Há mais de 65 anos, a competição reúne jovens qualificados de todo o mundo, selecionados em olimpíadas de educação profissional de seus países, realizadas em etapas regionais e nacionais.
A preparação dos participantes para a WorldSkills começou na segunda quinzena de janeiro. Vitor já iniciou a nova rotina em Brasília, onde passará uma temporada, até a competição. “É claro que ficar longe da família não vai ser fácil, porém é uma oportunidade única. Eu acredito que todos os competidores vão agarrar e treinar de corpo e alma para trazer um bom resultado para o Brasil. Espero trazer um ouro inédito para a minha modalidade”, estima.
Crédito: Divulgação/SENAI
Assim como para Vitor, a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.
Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.
A competição
Cada jovem competidor recebe um projeto e tem uma determinada quantidade de horas para desenvolver o desafio, da melhor forma possível. A habilidade técnica dos participantes é colocada em xeque, cada um dentro da sua modalidade. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.
Segundo o gestor do projeto Brasil Kazan 2019, José Luiz Gonçalves Leitão os jovens devem ter conhecimentos sobre desenvolvimento e desenho técnicos, metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto e também sobre processos. “É um jogo de tempo. Cada uma das habilidades é trabalhada exaustivamente dentro dos padrões e eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período”, destaca.
A cada edição da WorldSkills, o Brasil participa com um número maior de competidores e melhora sua classificação no quadro de medalhas. Em 18 participações, o país já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história do campeonato foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, o Brasil foi o primeiro do ranking de países.
Crédito: Agência do Rádio Mais
 
Fonte: Por Aline Dias - Agência do Rádio Mais

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