Seria o álcool a mais difícil droga para reabilitar?

Especialista em Sáude Mental e coordenador da área de Prevenção e Tratamento de Adicções da Fundação Cidade Viva, em João Pessoa (PB), Saulo Ribeiro revela as principais preocupação quando o assunto é álcool


“Apesar de o uso de crack estar em extrema evidência, principalmente devido à rapidez com que a pedra destrói quem a usa, considero o álcool uma das drogas de tratamento mais complexo e com menor índice de reabilitação. Isso se dá principalmente por ser considerado uma droga social, afinal ingerir álcool quase sempre é sinal de status, não de vergonha.”, revela o especialista em Saúde Mental Saulo Ribeiro em sua nova obra, “Livre!” publicada pela Editora Mundo Cristão.
Ele é também coordenador da área de Prevenção e Tratamento de Adicções da Fundação Cidade Viva, em João Pessoa (PB), tendo trabalhado anos com pessoas dependentes químicas. Com tamanha expertise, Saulo pode confirmar: o acesso fácil e o grande uso da substância álcool na sociedade torna a recuperação do adicto extremamente complicada. “Diferentemente das drogas ilícitas, é encontrado com extrema facilidade na esquina de casa, exaltado nas propagandas de TV e, na maioria das vezes, está disponível em qualquer comemoração para a qual o viciado é chamado. Como reabilitar alguém dessa forma?”
Além desse fácil acesso, a desinformação e pouca instrução familiar pode agravar o quadro dos dependentes. Saulo relata, em seu livro, um caso em particular. “Lembro de um dos casos em que, poucas horas após liberarmos o dependente do tratamento, ele nos ligou com voz baixa, pedindo que fôssemos buscá-lo, pois ele estava no banheiro, trancado, lutando para não beber o álcool que estava sobre a mesa e que a família insistia em que ele bebesse, para comemorar o tempo limpo!”
fonte: NAIRA LEITE - LC Comunicação


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