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Usuários dos CAPS de Santo André emocionam ao exibirem trabalhos no Mental Fashion Day

Publicado dia 17/05/2017 às 19h10min
Com o tema “Somos Todos CAPS’eleiros Malucos”, em alusão ao personagem da história Alice no País das Maravilhas,

Vilma de França, 55 anos, participa desde o primeiro desfile, mas a experiência não a faz ficar menos ansiosa e animada. Moradora do Parque Novo Oratório, ela escolheu as cores rosa e azul para a maquiagem pouco antes de entrar na passarela do Mental Fashion Day deste ano com seu vestido em vários tons de azul. Famosa entre os colegas, quando desfilou pela passarela, levou o público ao delírio com a performance. “Linda”, “arrasa” e outros elogios foram gritados pela platéia enquanto ela caminhava. Vilma e os demais usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Santo André apresentaram suas produções das oficinas de capacitação oferecidas pela rede municipal no evento anual, realizado na manhã desta terça-feira (16), na Concha Acústica da Praça do Carmo.

Com o tema “Somos Todos CAPS’eleiros Malucos”, em alusão ao personagem da história Alice no País das Maravilhas, o chapeleiro maluco, o evento marcou os 30 anos de luta antimanicomial no país. O homenageado desta edição foi o artista plástico Arthur Bispo do Rosário, que foi um dos símbolos da luta, falecido em julho de 1989 no Rio de Janeiro. Sua vida foi marcada pela resistência ao tratamento agressivo e desumano das instituições, após ser diagnosticado como Esquizofrênico Paranóico. O morador do bairro Curuçá, Adriano de Castro Gama, assim como Bispo do Rosário, encontrou na arte uma saída para as dificuldades. O usuário do CAPS Praça Chile, aos 33 anos, desfilou pela primeira vez no evento e com um traje típico de um noivo. Adriano é portador de esquizofrenia e para ele a experiência de fazer parte da oficina mostrou que ele é capaz de fazer muita coisa que ele achava não poder. “Quando somos portadores de algum transtorno, as pessoas não dão muito valor. Eu mesmo achava que não conseguia fazer nada, agora me sinto muito útil”, comenta.

Além da satisfação pessoal, o trabalho nos equipamentos da rede melhoram o quadro clínico dos usuários. Patrícia Alexandre Alvarenga, 33 anos, vive desde a adolescência na residência terapêutica feminina do município. Azelia Tolentino, coordenadora das residências, conta que Patrícia melhorou muito depois que começou a participar do projeto . “Ela sofre com um quadro de deficiência mental e em alguns momentos de crise chegou a ficar agressiva. Com esse trabalho, quem a conhece percebe como ela ficou mais alegre e mais calma”.

Patrícia estava tão animada que não hesitou em convidar a secretária de saúde, Ana Paula Peña Dias, para desfilar com ela no evento. Após o desfile, a responsável pela Pasta agradeceu e se emocionou com tudo o que viu. “É assim que queremos trabalhar o atendimento no município: com amor, dedicação e humanização. Santo André é referência na saúde mental para outras cidades e estados", anunciou Dias.

As oficinas oferecem cursos de vários segmentos, os usuários aprendem a costurar, fazer crochê, pintar e outras atividades. ”Muitos dos usuários chegam para aprender quando acabaram de ter uma crise, isso os deixa muito desmotivados. Aliando a oficina ao tratamento médico, eles melhoram a autoestima e ganham independência. Eu tenho uma aluna que começou sem saber fazer nada e hoje possui uma barraca para vender suas peças”, relata a oficineira do CAPS Praça Chile, Zilda Carvalho.

As peça utilizadas no evento serão utilizadas no próximo dia 18 de maio, em uma ação no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, organizada pela Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo.

Ganhando o mercado - O trabalho desenvolvido pelos usuários do CAPS tem gerado bons frutos e reconhecimento. Nesta quarta (17), será lançado um projeto realizado entre a Cavalera e o coletivo C.U.P.I.N.S (Central Unida de Pessoas Inventando Novas Saídas), formado por artistas da rede de saúde mental de Santo André. Serão comercializadas peças sustentáveis trabalhadas pelo grupo, na loja conceito da marca, no bairro Jardins, em São Paulo.

A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS ) do município é composta dos seguintes pontos de atenção: três CAPS tipo III ( 24 horas com 22 leitos comunitários para adultos); um CAPS III AD ( Álcool e outras drogas) com 8 leitos; um CAPS Infanto-juvenil e 8 leitos de enfermaria psiquiátrica no Centro Hospitalar. Para reabilitação psicossocial há: cinco residências terapêuticas com 40 moradores egressos de hospital psiquiátrico; duas repúblicas terapêuticas (unidades de acolhimento, uma para adulto e outra para jovens de acordo com Projeto Terapêutico Singular vinculados ao Álcool e Outras Drogas); um Núcleo de Projetos Especiais (NUPE), que realiza atividades voltadas a geração de trabalho e renda; o Consultório na Rua (CNR), que realiza atendimento itinerante à população de rua; o CAPS itinerante, equipe mista dos CAPS AD, Vila Vitória, Infantil e CNR, que realiza atendimentos em Paranapiacaba e Parque Andreense, com objetivo de promover acesso à Saúde.

Além disso, na USF Parque Miami, Centro de Saúde Escola, Centro de Especialidades III, Centro de Especialidades I, referência de psiquiatria e de psicologia. Nesta RAPS, são ofertadas mensalmente em média 1.400 consultas psiquiátricas, 1.300 oficinas terapêuticas, 900 grupos terapêuticos.

Fonte: Assessoria de Imprensa - Prefeitura de Santo André