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CNT: estudo aponta que rodovias brasileiras estão com defasagem de 40 anos

Publicado dia 01/09/2017 às 22h30min
Um estudo da CNT (Confederação Nacional do Transporte) apontou que a gestão de projetos de estradas no Brasil está com uma defasagem de pelo menos 40 anos

Um estudo da CNT (Confederação Nacional do Transporte) apontou que a gestão de projetos de estradas no Brasil está com uma defasagem de pelo menos 40 anos em relação aos países da Europa, EUA e Japão. Sem fiscalização adequada, o governo aprova projetos com qualidade bem abaixo do que foi contratada e com defeitos que precisarão de reparos mais adiante. O pior é que estas correções acabam por elevar os custos da obra em até 24%.

Um dos maiores problemas nas rodovias construídas ou reformadas no Brasil é a pavimentação, na maioria dos casos de péssima qualidade, que exigirá recapeamento constante durante muitos e muitos anos. Especialistas dizem que a média de vida útil de um asfalto gira de oito a doze anos, mas em alguns casos brasileiros, o pavimento não dura sequer seis meses e já é necessário fazer a reforma completa, elevando enormemente os gastos.

Além da péssima qualidade, as estradas brasileiras carecem de fiscalização também sobre o tráfego de cargas. Há poucas balanças em funcionamento e o excesso de peso é o principal motivo de destruição de vias pavimentadas em boa parte do país. Sem fiscalização, os transportadores elevam as tonelagens para ganhar mais ou compensar perdas com o frete.

Mas, se uma estrada tem problemas e é necessário sua manutenção, imagine então quando nem esta última existe. Pois é isso mesmo. O levantamento da CNT apontou que em torno de 30% das rodovias federais não possuem nem mesmo contratos de manutenção e a grande maioria foi construída nos anos 60.

Lembra do sobrepeso? Então, se ele gera destruição do pavimento ao longo do tempo, os problemas decorrentes disso – incluindo a não manutenção da via – encarecem o custo do frete em média 24,9% para autônomos e transportadoras. Ou seja, coloca-se mais peso para compensar as perdas decorrentes exatamente do excesso de peso, embora em parte, visto que – além da falta de manutenção da via – os caminhões consumem muito mais combustível e isso significou um gasto extra de nada menos que 775 milhões de litros de diesel em 2016, tendo assim um impacto na economia de pelo menos R$ 2,34 bilhões.

De acordo com a CNT, o Brasil precisa de uma política de transporte multimodal para compensar o déficit em infraestrutura e retomar o crescimento, de forma sustentável.  No final das contas, o custo não será absorvido apenas pelos que tiveram prejuízos no transporte de cargas, mas pelos consumidores que terão de arcar com fretes caríssimos e produtos com preços bem elevados, arruinando a economia como um todo.

[Fonte: Gazeta do Povo]

Fonte: noticias automotivas